A fé cristã é irracional?

Uma das controvérsias mais debatidas no mundo moderno é a questão da existência de Deus e o papel das religiões na sociedade.

O Iluminismo – movimento surgido no século XVIII – preconizava que, pelo progresso das ciências e pela racionalidade crítica da filosofia, haveríamos de encontrar explicações para o mundo natural e para o comportamento humano sem qualquer necessidade de doutrinas religiosas ou crença na existência de um criador.

Friedrich Nietzsche ilustrou esse conceito de forma expressiva ao afirmar: “O mundo precisa ser informado de que Deus morreu e a ciência o sepultou”. Um dos expoentes do neodarwinismo, Richard Dawkins, nos afirma: “Enquanto a crença científica se baseia em evidências publicamente verificáveis, a fé religiosa não apenas carece de evidências; sua independência de evidências é sua alegria, proclamada do alto dos telhados”. E o bem sucedido e premiado filósofo Robert M. Pirsig vai ainda mais longe ao proclamar: “Quando um indivíduo sofre de um delírio, chama-se a isso de insanidade. Quando muita gente sofre de um delírio, chama se a isso de religião”.

O tema assume com frequência um caráter dogmático de ambos os lados do debate mas, com o surgimento da chamada escola de pensamento neodarwinista, temos observado o surgimento do que poderiam ser chamadas linhas de argumentação “religiosas” surpreendentemente do lado dos defensores da não existência de Deus. Sobre este tema, vale a pena ler o artigo The Wars Over Evolution, de Richard C. Lewontin, biólogo da Universidade de Harvard.

Será, porém, que todas essas afirmações a respeito da fé estão alicerçadas em evidências científicas e racionalidade crítica? O objetivo deste ensaio é demonstrar que não. Ao contrário, apresentam claramente uma linha de argumentação dogmática e, porque não dizer, “religiosa”. Fundamentaremos nosso raciocínio nos ensinamentos das Escrituras e depoimentos de notáveis cientistas e filósofos de ambos os lados do debate. Grandes descobertas da ciência dos séculos XX e XXI nos campos da cosmologia, genética e bioquímica fortalecem, a cada novo avanço, a convicção de que a descoberta de uma explicação final para os fenômenos da natureza se torna cada vez mais distante e que a existência de um Deus criador não é algo insano ou fruto de uma fé irracional.

Mas onde estão as provas de que a fé cristã independe de evidências?

Diretamente das Escrituras, tiramos as palavras de João em seu evangelho: “Estes sinais [evidências] foram escritos para que vocês creiam”. Paulo, em sua carta aos Romanos, nos diz com clareza que a natureza fornece provas que suportam a existência de um criador, ao que parece incentivando a busca do entendimento de Deus por observação e estudo de suas obras: “Pois os seus atributos invisíveis [Deus], o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas”. Os próprios apóstolos, conforme descrito em inúmeras passagens do livro de Atos, se envolveram em debates, provas, demonstrações e argumentações defendendo a fé cristã por meio de argumentação lógica.

Já no século IV, dizia Agostinho de Hipona, um dos primeiros filósofos e teólogos cristãos, convertido aos 33 anos de idade: “Quem não vê que primeiro é pensar e depois crer? Ninguém acredita em algo se antes não pensa no que há de crer. Embora certos pensamentos precedam de um modo instantâneo e rápido a vontade de crer, e esta vem em seguida, e é quase simultânea ao pensamento, é mister que os objetos da fé recebam acolhida depois de terem sido pensados. Assim acontece, embora o ato de crer nada mais seja que pensar com assentimento. Pois, nem todo o que pensa, crê, havendo muitos que pensam, mas não creem; mas todo aquele que crê, pensa, e pensando crê e crê pensando”.

Finalmente, convém lembrar que a explosão de conhecimento ocorrida entre os séculos XVI e XVII teve um grande fundamento teísta. Como discorre o matemático e filósofo Alfred North Whitehead: “A ciência moderna deve ter se originado da insistência medieval na racionalidade de Deus […]. Minha explicação é que a fé na possibilidade da ciência, gerada antes do desenvolvimento da teoria científica moderna, foi uma consequência inconsciente da teologia medieval”. Visão claramente resumida por um dos gigantes da filosofia cristã do nosso século, C. S. Lewis: “Os homens se tornaram cientistas porque esperavam haver leis na natureza, e esperavam haver leis na natureza, porque acreditavam num legislador”.

Concluímos, portanto, que a visão de Dawkins e de tantos outros é, claramente, equivocada: não faz parte da cosmovisão cristã exigir que se acredite em coisas sem que haja qualquer evidência. Exatamente como na ciência, fé, razão e provas caminham juntas e é uma atitude demasiado simplista assumir que ciência e fé em Deus são inimigas.

A Doutrina da Evolução

Examinemos agora a tão famosa e incompreendida Teoria da Evolução (e mais adiante falaremos sobre o uso do termo “doutrina”), brilhantemente criada por Charles Darwin, generalizando suas observações sobre os tentilhões das ilhas de Galápagos, no Equador. A palavra-chave é generalizando. Darwin fez o que qualquer cientista faria: com base em observações experimentais, generalizou-as, criando uma nova teoria que pudesse explicar como surgiram as diversas espécies na natureza.
O que está faltando, até aos dias de hoje, é a evidência experimental demonstrando que as teses de Darwin de fato estão corretas. Que novas espécies de fato se formam mediante pequenas mudanças nas espécies existentes, acumuladas ao longo de períodos de tempo suficientemente extensos. O próprio Darwin, em seu trabalho, admitiu que um dos grandes desafios para sua teoria era a falta de evidências arqueológicas mostrando todas as linhagens intermediárias levando de uma espécie a outra. Nos dias de hoje, mais de 150 anos após Darwin, com mais de 100 milhões de fósseis coletados, cobrindo 250.000 espécies, as lacunas continuam não preenchidas.

Em julho de 2011, foi publicado um artigo na Scientific American, de autoria de Trevor D. Lamb, “demonstrando” mais uma vez como o olho teria se formado segundo os princípios da evolução (Scientific American – Evolution of the Eye). Diz o subtítulo: “Agora os cientistas têm uma visão clara de como o notável órgão de visão se formou”. No entanto, ao lermos o artigo com atenção, ficaremos surpreendidos com a quantidade de ocorrências de termos tais como “postulamos”, “podemos inferir”, “provavelmente”, “possivelmente”, “eventualmente” e tantos outros termos que dificilmente poderiam ser associados a uma clara e irrefutável explicação de como o olho veio a se formar por processos graduais de aperfeiçoamento ao longo de vários milhões de anos. Para piorar as coisas, os paleontologistas nos asseveram que o trilobita, um fóssil com aproximadamente 450 milhões de anos, já possuía um órgão de visão com lentes mais complexas do que qualquer coisa encontrada hoje na natureza. O projeto ótico do olho do trilobita usa mecanismos que só foram descobertos por René Descartes e Christiaan Huygens em meados do século XVII. E surgiu, aparentemente pronto, sem que tenham sido encontradas quaisquer evidências de que teria se formado por meio de processos de aperfeiçoamento graduais.

O que a natureza nos mostra é que as espécies parecem surgir e desaparecer de forma pontual, sem qualquer evidência de evolução gradual (ver Equilíbrio Pontuado – Stephen J. Gould e Niles Eldredge). Dawkins admite isso em sua obra O Relojoeiro Cego: “Os resultados vivos da seleção natural nos dão a esmagadora impressão de terem sido projetados por um relojoeiro de rara maestria, nos passam a ilusão de terem sido planejados com um propósito”.

E, mais adiante, ao comentar a chamada Explosão Cambriana, ocorrida 600 milhões de anos atrás: “Os estratos cambrianos são os mais antigos em que observamos a maioria dos grupos invertebrados. E encontramos a maioria deles num estado muito avançado de evolução. É como se tivessem sido colocados lá, sem qualquer histórico evolucionário. Desnecessário dizer que esta aparência de surgimento repentino é uma das maiores alegrias dos criacionistas”.

Quase dois séculos depois da publicação da Origem das Espécies, não foi até hoje observado na natureza ou replicado em laboratório qualquer processo evolutivo que levasse ao surgimento de uma nova espécie, fenômeno por vezes denominado Macro-evolução.

Moscas mutam mas continuam moscas. Bactérias evoluem e se tornam resistentes a antibióticos, mas continuam sendo a mesma bactéria. O parasita causador da malária sofreu uma mutação e se tornou resistente às drogas convencionais, mas continua sendo o nosso velho conhecido Plasmodium falciparum. A Teoria da Evolução já foi devidamente evidenciada como explicação para os fenômenos micro evolutivos e suas variantes, como a adaptação do bico dos tentilhões de Darwin (radiação adaptativa), mas continua sendo apenas uma hipótese para explicar o surgimento de novas espécies. A mudança macro evolutiva de uma espécie para outra foi inferida inúmeras vezes, mas jamais documentada.

O grande público em geral não faz ideia do quanto escassas e fragmentárias são as evidências existentes para os processos evolutivos, incluindo a evolução do ser humano. Porém, o maior desafio a vencer na demonstração de que Deus é desnecessário segundo uma perspectiva darwinista, surgiu com as grandes descobertas nos séculos XX e XXI, no campo da bioquímica.

James Shapiro, bioquímico das Universidades de Harvard e Chicago, um dos primeiros cientistas a isolar um gene de um organismo vivo, declara: “Não existem explicações darwinianas detalhadas para a evolução de qualquer sistema bioquímico, apenas uma variedade de especulações criativas.”

Sabemos hoje quais são os componentes fundamentais da vida e que mecanismos utilizam para que haja reprodução mas estamos ainda mais longe de poder explicar como esses processos surgiram, tamanha é a complexidade observada.
O DNA é formado por genes, que podem ser encarados como manuais de fabricação de proteínas. O ser humano tem aproximadamente 20.000 genes, que orientam a produção de aproximadamente 100.000 proteínas, compostas por cadeias com centenas de elos formados por diferentes combinações de 20 aminoácidos. Estes números nos mostram uma óbvia explosão combinatória, que torna estatisticamente irracional qualquer tentativa de explicar o surgimento desses componentes por processos evolutivos.

A única saída do impasse probabilístico é tentar aumentar drasticamente as probabilidades de os processos evolutivos caminharem mais rapidamente na direção de um alvo. É exatamente essa hipótese que Dawkins nos apresenta em O Relojoeiro Cego. Ele alega que a origem da vida está longe de ter ocorrido por mero acaso pois, se assim fosse, concorda ele, teríamos uma impossibilidade estatística. Devem existir, postula Dawkins, mecanismos que diminuam o número de etapas a seguir para que o alvo evolutivo seja atingido num horizonte de tempo razoável. E assim, mais uma vez, “demonstra” que tudo é perfeitamente explicável pela visão darwinista.

Perguntas que surgiram em decorrência das modernas descobertas no campo da genética e que permanecem sem resposta: 1) Como surgiram os aminoácidos? 2) Como surgiram as proteínas? 3) Como surgiram o DNA e o RNA? 4) Como se formou a primeira célula? 5) Como foi criado o código genético? 6) Como foi criado o processo de fabricação de proteínas? 7) Como foi criado o mecanismo de replicação? 8) Como tudo pode ter ocorrido simultaneamente, visto que tanto proteínas quanto ácidos nucleicos (DNA) são necessários para que ocorram os processos de replicação necessários à vida?.

Ao que parece, a cada nova resposta que encontramos surgem cada vez mais novas perguntas, o que torna muito razoável admitir que afinal talvez exista mesmo um projetista. Alternativamente, conforme argumenta Dawkins em O Gene Egoísta, pode-se postular que em algum ponto no tempo uma molécula tenha se formado, por acidente, batizada de replicador por ter a extraordinária propriedade de poder criar cópias de si mesma; assim “demonstramos” uma vez mais que existe sempre uma explicação que elimina a necessidade de se recorrer à existência de um criador. Basta ter criatividade suficiente para criar explicações, por mais especulativas que possam ser.

Ou, como o grande estudioso do DNA Leslie Orgel admite de forma mais sensata num artigo publicado em 1994 na Scientific American: “É extremamente improvável que proteínas e ácidos nucleicos (DNA), com toda a sua complexidade, possam ter se formado espontaneamente no mesmo lugar e ao mesmo tempo. À primeira vista, seríamos forçados a concluir que a vida não poderia nunca se originar por meios puramente químicos”.

Que não se conclua que nosso objetivo foi desacreditar a Teoria da Evolução, demonstrar sua falsidade científica ou sua incompatibilidade com princípios cristãos. Citando o grande evangelista Billy Graham: “Não creio que exista qualquer conflito entre a ciência contemporânea e as Escrituras. … A Bíblia não é um livro sobre ciência. A Bíblia é um livro sobre redenção, e é claro que eu aceito o seu relato sobre a criação. Eu creio que Deus criou o homem, e se ele surgiu por processos evolucionários e num determinado momento Ele o fez uma alma vivente, ou não, não muda o fato de que Deus o criou… seja qual for o meio que Deus usou, não faz qualquer diferença para o que o homem é e qual é a sua relação com Deus”.

A Teoria da Evolução deve ser respeitada como ciência em si, porém não podemos aceitar os excessos filosóficos de certos cientistas que fazem uso abusivo da teoria para promover o ateísmo, transformando-a numa doutrina. Não há porque introduzir o conceito de Deus na pesquisa científica, assim como não há por que usar a ciência para promover uma cosmovisão ateística.

O universo começou?

De um lado, intelectuais naturalistas nos dizem que a ciência eliminou Deus e, do outro lado, teístas dizendo-nos que a ciência confirma sua fé em Deus. As duas posições são defendidas por cientistas muito competentes. Não poucas vezes, encontramos ateus declarados expondo suas dúvidas sobre o tema.

Vejamos o que nos diz Stephen Hawking, de Cambridge, talvez o maior físico teórico do nosso tempo: “É difícil discutir o início do universo sem mencionar o conceito de Deus. Minha obra sobre o início do universo situa-se na fronteira entre a ciência e a religião, mas eu tento ficar do lado científico da fronteira. É bem possível que Deus atue de maneiras que não podem ser descritas por leis científicas”.

Continua Hawking, mas desta vez especulando a respeito do poder das teorias científicas, referindo-se à chamada Teoria Unificada ou Teoria de Tudo (veja o filme): “A abordagem comum da ciência de construir um modelo matemático não pode responder às perguntas que indagam por que deveria existir um universo a ser descrito pelo modelo. Porque o universo se dá a todo esse trabalho de existir? Seria a teoria unificada tão convincente a ponto de produzir sua própria existência? Ou será que ela precisa de um criador, e nesse caso, ele exerce algum outro efeito sobre o universo?”.

Paul Davies, da Universidade do Arizona, vai um pouco mais longe: “Não é necessário invocar nada sobrenatural nas origens do universo ou da vida. Jamais gostei da ideia de uma intervenção divina: para mim é muito mais inspirador crer que um conjunto de leis matemáticas possa ser tão engenhoso a ponto de fazer com que todas as coisas existam”.

Acredita-se que a cosmologia científica, ou seja, a busca das leis que governam o universo, teve seu início na Grécia Antiga, tendo sido objeto de estudos de Pitágoras e Aristóteles. No entanto, o problema da origem do universo começou a tomar forma em meados do século XIX, culminando na chamada Teoria do Big Bang, fruto dos trabalhos de Albert Einstein, Alexander Friedmann e Edwin Hubble. Segundo a Teoria do Big Bang, o universo teve seu início num processo semelhante a uma grande explosão, começando num ponto infinitamente pequeno e prosseguindo num processo acelerado de expansão que continua nos dias de hoje. Após diversas descobertas comprovando previsões teóricas, principalmente as de Penzias e Wilson em 1965, a Teoria do Big Bang passou a ser aceita pela comunidade científica em geral.

Curiosamente, a teoria provocou muita controvérsia nos meios acadêmicos, a ponto de o termo Big Bang ter sido utilizado pela primeira vez de forma depreciativa pelo eminente cosmologista e escritor Fred Hoyle por volta de 1950. Uma das razões para a controvérsia era a conclusão óbvia que, se o universo começou, então deveria haver uma causa, a primeira de todas as causas, e que esta causa seria Deus. Esta é uma descrição simplificada do chamado Argumento Cosmológico Kalam para a existência de Deus. Citando Sola Scriptura.org – Existência de Deus: “Se o universo foi causado, então esta causa não causada tem de ser infinita, imutável, todo-poderosa, onisciente e absolutamente perfeita. Este ser infinitamente perfeito é apropriadamente chamado Deus”.

Muitas outras descobertas modernas na área da física parecem mostrar que o universo foi finamente ajustado para o surgimento da vida como a conhecemos. Desde os parâmetros que governam a física atômica até aos parâmetros que governam a física cósmica, tudo parece ter sido objeto de um ajuste tão preciso que parece ser ilógico admitir que tudo não passaria de uma coincidência. Deve haver uma causa governando o universo e a essa causa chamamos Deus. Este é o chamado Argumento Teleológico para a existência de Deus: se existe um plano então existe um planejador; existe um plano, logo, existe um planejador.

Mas o debate e a pesquisa científica continuam. Havia algo antes do Big Bang? O que causou o Big Bang, se não foi Deus? Algumas referências: Teoria das Cordas, The String Theory Website, Andrei Linde – Multiversos, Video – Brian Greene: Is our universe the only universe?

Considerações finais e conclusão

Um dos pontos muito discutidos a respeito de Deus é porque ele permite a existência do mal. Mas, se entendemos que existe o mal, é porque temos consciência de que existe seu oposto, o bem. Ora, se entendemos a diferença entre o bem e o mal é porque existe algum padrão de avaliação universal que poderíamos chamar de lei moral. De onde veio a lei moral? Parece razoável admitir que exista um doador dessa lei moral, que deve ser absolutamente perfeito. A esse ser, apropriadamente chamamos Deus. Este é o chamado Argumento Moral.

Se você teve a paciência de ler o artigo até aqui, talvez tenha considerado que a existência de Deus pode até fazer algum sentido. Mas estou certo que uma pergunta insiste em ressoar em seu intelecto. Se ele existe, por que não se manifesta de forma inequívoca? Por que não mostra todo o seu poder à humanidade e encerra o debate de uma vez por todas?

Nada melhor que deixar um especialista responder. Em Cartas de um Diabo a Seu Aprendiz (C. S. Lewis), o mentor Fitafuso diz a seu aluno Vermebile: “Certamente você já se perguntou várias vezes porque o inimigo não utiliza os seus poderes para estar presente de modo perceptível para as almas humanas com a intensidade que ele escolher e sempre que desejar. Mas agora você percebe que o irresistível e o indisputável são duas armas que a própria natureza do seu desígnio o impede de usar. Para ele, de nada valeria simplesmente neutralizar a vontade humana (o que certamente aconteceria se ele os fizesse sentir sua presença do modo mais débil e suave possível). Ele não pode violentá-los; pode apenas cortejá-los. Pois sua ideia desprezível é ter ao mesmo tempo duas coisas incompatíveis: as criaturas devem ser um com ele, e ainda assim distintas”.

Encerramos com um comentário do filósofo Luiz Felipe Pondé, em entrevista à revista Veja em 13/7/2013, respondendo à pergunta “Por que o senhor deixou de ser ateu?”: “Comecei a achar o ateísmo aborrecido, do ponto de vista filosófico. A hipótese do Deus bíblico, na qual estamos ligados a um enredo e um drama morais muito maiores do que o átomo, me atraiu. Sou basicamente pessimista, cético, descrente, quase na fronteira da melancolia. Mas tenho sorte sem merecê-la. Percebo uma certa beleza, uma certa misericórdia no mundo, que não consigo deduzir a partir dos seres humanos, tampouco de mim mesmo. Tenho a clara sensação de que às vezes acontecem milagres. Só encontro isso na tradição teológica”.

Jacinto Mendes, engenheiro, professor, ex-ateu, membro da CBMoema

 

Referências
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