Leia este – Vida em Comunhão

Vida em Comunhão (Editora Sinodal), do teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), é nossa recomendação para maio. Em 108 páginas, o autor nos ensina a valorizar o compartilhar da vida entre os da comunidade da fé e dá orientações práticas sobre como lidar com os problemas decorrentes desta convivência. Disponível para venda aos domingos após a celebração. Pode ser utilizado para estudo em Pequenos Grupos.

“Houve entre eles (os discípulos) uma discussão: qual deles seria o maior!” (Lucas 9.46). Sabemos quem semeia semelhante pensamento na comunidade cristã. No entanto, talvez não estejamos suficientemente, conscientes de que é impossível uma comunidade cristã se reunir sem que surja logo esse pensamento como semente de discórdia. Mal as pessoas se encontram, logo têm que começar a observar, julgar e enquadrar umas às outras.

Dessa maneira, já no surgimento da comunhão cristã começa também uma invisível, muitas vezes inconsciente, horrível luta de vida e morte. “Houve entre eles uma discussão” – isso basta para destruir a comunhão. Por isso é de vital importância para toda a comunidade cristã que ela enfrente esse inimigo desde a primeira hora e o extermine.

Nesse ponto não há tempo a perder, pois assim que uma pessoa se encontra com outra, cada qual busca uma posição estratégica para se defender. Há pessoas fortes e fracas. Se alguém não é forte, logo invoca para si o direito dos fracos e o usa contra o forte. Há as pessoas talentosas e as pessoas sem talento, pessoas simples e pessoas difíceis, piedosas e menos piedosas, pessoas sociáveis e as esquisitas.

A pessoa destituída de talento não precisa firmar sua posição do mesmo modo como faz a pessoa talentosa, a pessoa difícil como a pessoa simples? E se não sou talentoso, talvez seja piedoso; se não sou piedoso, talvez nem o queira ser. Por acaso não pode a pessoa sociável conquistar tudo para si num só instante, envergonhando assim o tímido? Por acaso a pessoa esquisita não pode se tornar o inimigo invencível e, por fim, o vencedor sobre as pessoas sociáveis?

Que pessoa não encontraria com certeza instintiva o lugar no qual possa se firmar e se defenderá com todo seu instinto de autoafirmação? Tudo isso pode acontecer das formas mais civilizadas e inclusive mais piedosas.

O que importa é que uma comunidade cristã saiba que, com toda certeza, “houve entre eles uma discussão: qual deles seria o maior?”. É a luta da pessoa natural pela auto justificação. E ela a encontra somente ao comparar-se com outra pessoa, no julgamento dela.
Auto justificação e julgamento andam de mãos dadas, assim como a justificação por graça e o servir.

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